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4 de abril de 2011

Concorrência - visão histórica

O que é o Distributismo?
Por Thomas Storck
"Na Idade Média as corporações profissionais, exemplo perfeito das instituições católicas, frequentemente limitavam a quantidade de propriedade que cada dono/trabalhador podia ter (por exemplo, limitando o número de empregados), precisamente no interesse de evitar que alguém expandisse demasiado o seu negócio levando outros à falência. Porque se a propriedade privada tem um objectivo, como Aristóteles e São Tomás diriam, ele é assegurar que cada homem e a sua família possam levar uma vida digna, servindo a sociedade. Uma vida digna, e não duas ou três. Se o meu negócio me permite sustentar-me a mim e à minha família, então que direito tenho de o expandir, privando outros do meio de se sustentarem e às suas famílias? Pois os medievais viam aqueles que se dedicavam à mesma actividade, não como rivais ou competidores, mas como irmãos empenhados no importante trabalho de providenciar ao público bens e serviços necessários. E como irmãos uniam-se nas corporações, tinham padres para rezarem pelos seus mortos, apoiavam as viúvas e órfãos, e de modo geral olhavam pelo bem-estar uns dos outros. Quem é que não é capaz de admitir que esta concepção de sistema económico é mais conforme à fé Católica do que a ética selvagem do capitalismo?"
Se hoje em dia não podemos ter uma visão tão limitada do empreendedorismo, quem nos diz que boas soluções não podem ser retiradas deste esquema? Numa sociedade em que as profissões se protegessem, seria necessário dotar o cidadão da responsabilidade de se abrigar no seio da sua corporação profissional ou prosseguir desassociado dela, plenamente consciente dos seus riscos. Cidadãos conscientes e responsáveis, autonomia e espírito de comunidade - em vez da acção cruel do Estado Social, engolindo tudo à sua passagem e escravizando trabalhadores e empresários à sua passagem.

Apresentação - Manuel M. Rezende

Há uma certa arrogância num blogue sobre doutrina económica. Especialmente quando autores desse blogue não são licenciados em Economia - aliás, nem sequer frequentam o curso. O Distributismo tem sido atacado por esse prisma um pouco por todo o Mundo - é uma teoria demasiado querida por filósofos, historiadores, juristas, engenheiros, etc. Isso explica-se facilmente: a ideia de uma doutrina económica sustentada nos valores da Igreja atrai vários tipos de pensadores. O Distributismo pugna por valores sociais e isto é especialmente importante para os católicos que vêem com clareza o desabar das antigas instituições ocidentais e o desmoronamento do nosso edifício moral.

O desaparecimento da Família afecta especialmente a nossa comunidade - as famílias cada vez menos têm hipótese de se sustentarem autonomamente, recorrendo cada vez mais ao endividamento. A propriedade familiar torna-se, frequentemente, num espólio desprezado e tido como empecilho. A família já não se desenvolve organicamente: a educação dos mais novos é entregue completamente a estranhos ou ao Estado, sucedem-se os casos de vários empregos por pessoa no seio da família nuclear. Quando as prioridades dos pais não estão obsessivamente ligadas ao bem-estar, então estão toldadas pela Providência Social, as famílias deixam de ser locais de aprendizagem e exemplo, uma vez que os próprios pais são sustentados de forma irresponsável pelo Estado Social.

Fora da esfera familiar, base da sociedade, as coisas não funcionam de todo melhor, tal como seria de esperar. Tal como se desagregam as raízes, desagregam-se os vínculos e os hábitos sociais. Já não encontramos produtores regionais, nem empresas familiares: tudo foi engolido pela ganância infinita daqueles que, usando da sua influência política e da Força Pública, subsidiada pelos seus dinheiros, destruíram os compromissos entre os Estados e os ofícios. Deixamos de ter aldeias de artesãos e agricultores, cidades artífices e mestres, para as povoarmos com Consumidores.

O Distributismo é mais do que a hipótese de uma terceira via. Ao longo dos futuros textos deste blogue, esta equipa vai procurar ensinar aos seus leitores que tanto o Liberalismo como o Socialismo são filhos da mesma falácia sectarista. No fundo, a hipótese que propomos é uma restauração histórica feita em nome das nossas Gentes e da nossa Cultura, pelo menos enquanto ambas mostrarem ainda sinais de existirem.