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7 de janeiro de 2012

As chaves de São Pedro: desafios da Igreja Católica para o 3º Milénio da Encarnação




"Tu és Pedro, e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do Inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do Reino do Céu; tudo o que ligares na terra ficará ligado nos Céus e tudo o que desligares na terra será desligado no Céu."

Mateus, 16, 18-19


Gostaria antes de mais nada de agradecer ao Manuel Rezende o convite que me fez para participar neste blog de intercâmbio de conhecimentos e de experiências em torno do Catolicismo e do conservadorismo. É com o maior gosto que aceito esta oportunidade e pretendo que as minhas intervenções possam ser frutíferas.

A imagem que apresento acima é conhecida universalmente. Mostra-nos a criação de Adão por Deus. É interessante ver como ambos se encontram separados, cada um na sua concha, remetendo-nos assim para dois lugares distintos: o lugar de Deus e o lugar do Homem. Isto não significa contudo, que Deus não tivesse a intenção de os unir. Se não fosse assim, por que estariam ambos de braços estendidos tentando-se alcançar mutuamente? Porque de facto queriam ficar unidos! Mas esta união não foi possível, porque o Homem não quis apenas estar unido a Deus, ele quis ser o próprio Deus. Foi com esse intuito que Eva pegou na maçã e a comeu, dando-a também ao seu marido, pois a serpente tinha-lhe dito: "Não, não morrereis (ao comer o fruto); porque Deus sabe que, no dia em que o comerdes, abrir-se-ão os vossos olhos e sereis como Deus...". Assim, se quebrou a unidade inicial e o que estava unido ficou separado, pois Adão e Eva cometeram a "ὕβρις"(hyubris), a arrogância contra Deus. Mas não para sempre. Deus quis unir-se com a Humanidade enviando um novo Adão (Cristo) e uma nova Eva (a Virgem Maria) refazendo a aliança que tinha sido quebrada. Deus funda a Igreja para nela se ligar com todo o género humano e o conduzir à salvação.

Pois bem, aqui estamos nós, membros desta mesma Igreja que durou até ao ano de 2012 e que, segundo a nossa Fé e Esperança, atingirá a eternidade, se se mantiver fundada na Caridade. Na imagem acima não vemos apenas uma desunião entre o Homem e Deus, como se passou com a história de Adão e Eva, mas vemos uma brecha que promete separar Deus e o Homem para sempre. É o nosso dever impedir que o Homem do Terceiro Milénio faça pior do que provar a maçã, quebrando a aliança que Deus fez com ele. É o nosso dever, como Igreja, Assembleia de Deus, continuar a fazer o esforço de esticar o braço de Adão para que ele agarre a mão de Deus firmemente. Todavia, bem sabemos que o Homem do século XXI não só já não agarra a mão de Deus, com cria perante Ele uma brecha bem profunda. Mas porque é que o Homem do séc. XXI, uma vez que não se quer unir a Deus, não deixa apenas de continuar a esticar o braço? Porquê uma brecha, uma divisão tão brusca? Porque para o Homem do século XXI, já não basta não se unir a Deus, tem de se afastar dele o mais que puder. Não se trata apenas de uma necessidade de desunião, mas de fuga, que leva alguns a convencerem-se que para além da brecha já não existe nada (estes, são sem dúvida, os ateístas). Adão e Eva ficaram desunidos de Deus, porque criam ser como Deus. Para os ateístas, Deus já não é uma meta alcançar, nem sequer um desejo admissível. Deus é para eles um vácuo, e, se existisse, seria a essência mais abominável do Universo. Como disse Christopher Hitchens um dos "quatro cavaleiros do neo-ateísmo" recém-falecido: "seria péssimo se [Deus] existisse".

Já vimos que o Homem do século XXI quer criar um fosso entre Deus e o Homem. E em relação à Igreja? Não querem tantos católicos hoje (a maioria sem se aperceber) criar esse mesmo fosso? Não querem muitos que a Igreja, Esposa de Cristo, dele se divorcie?

A citação de Mateus que coloquei debaixo da imagem, não foi de modo nenhum por mero acaso. Reparem que Jesus, quando se dirige a Pedro, diz que o que desligar na terra ficará desligado nos Céus, mas não diz para desligar o que une o Céu à Terra. Ou seja, a Igreja, pela autoridade que lhe foi conferida por Nosso Senhor Jesus Cristo, detêm as chaves, para fechar ou abrir aos membros da Humanidade "o acesso à comunhão com a comunidade cristã" (vide: comentário da Bíblia dos Capuchinhos). O Papa, a quem foi conferida esta autoridade, não pode usar as mesmas chaves, para trancar a Igreja do poder de Deus. Esse poder não lhe foi dado. Pode determinar quem pode entrar na Igreja para estar em comunhão com Deus, mas não pode acabar com essa comunhão. Ela durará até ao fim dos tempos. Temos pois, o dever de ajudar o Papa a manter as portas da Igreja abertas a Cristo e defender que as chaves se mantêm na sua posse e não na da multidão que tanto quer ver as portas fechadas.

Quantos não são hoje aqueles que desejam ter as chaves de São Pedro? Muitos já tentaram roubar as chaves, pensando que eram essas as verdadeiras. Não foi isso que fizeram os protestantes? Acharam que tinham as chaves e criaram uma nova igreja. Vê-se bem que as chaves verdadeiras continuam na Igreja Católica Apostólica Romana e não na deles. E porque todos esses protestantes quiseram aquilo a que não tinham direito, obviamente não tardaram em retirar as chaves àquele primeiro (Martinho Lutero) que as roubou. Hoje as chaves falsas já se multiplicaram tanto, que temos 30 000 igrejas protestantes no mundo, dizendo todas elas terem as verdadeiras chaves de Cristo, que nunca lhes foram entregues.

Hoje a Igreja encontra-se perante um grande dilema: manter as chaves na posse da cátedra de São Pedro ou dá-las à multidão, como tantos católicos progressistas hoje defendem. Esta segunda hipótese só tem para mim uma consequência: que as portas do Inferno prevalecerão certamente sobre a Igreja. Aceitar o casamento homossexual, aceitar o fim do celibato, aceitar a ordenação de casais de gays e de lésbicas, aceitar todos os métodos contracetivos artificiais, aceitar a não existência do pecado, aceitar a possibilidade do aborto, aceitar o fim da monarquia papal e a transferência da sua autoridade para os leigos que escolheriam através do voto os seus pastores, só pode constituir um fechar das portas à comunhão da Igreja com Deus, com as Sagradas Escrituras e com a Tradição Apostólica. São estes os três sustentáculos da Igreja. O seu cumprimento permitiu que a Igreja sobrevivesse heroicamente estes 2000 anos, passando pelo fim do Império Romano do Ocidente, pelo fim do Império Romano do Oriente, pelo Cisma Ortodoxo, pelo fim do teocentrismo medieval, pela Reforma, pela Revolução Francesa, pelo fim dos Estados Papais, pelo fascismo, pelo marxismo, pelo ateísmo, pelo neo-ateísmo, pelas ameaças do Islão e pelas heresias de novas igrejas cristãs, sã e salva. Transmitida por doze apóstolos, quase todos eles pescadores e ignorantes, a mensagem de Cristo foi acreditada por sábios e néscios, por santos e pecadores e chegou mesmo aos confins do mundo.

A Igreja atravessa atualmente, sem dúvida alguma, uma dura crise e perda de fiéis. Contudo, isso jamais pode levá-la a prostituir a Verdade para agradar aos homens, como tantas outras o fizeram. A Igreja não pode ignorar o seu esposo, Jesus Cristo, a Tradição Apostólica e as Sagradas Escrituras. As igrejas protestantes que cometeram este erro, têm as portas fechadas à Verdade de Deus e começam a ter as suas próprias portas fechadas, porque os fiéis sabem que a Verdade não é uma hoje e outra amanhã, mas que se mantém sempre igual, desde o alfa ao ómega dos tempos.

Vejamos o caso dos Episcopalianos. Todos os desejos dos progressistas se concretizaram nesta igreja. Baseando-me no site espanhol "Religión en Libertad" vou apresentar alguns dados interessantes. "No século XVI, o anglicanismo aceitou o clero casado. Em 1930 aceitaram (os Episcopalianos) a anticonceção. Em 1976 os Espicopalianos aprovaram o clero feminino. Em 1989 ordenou-se a primeira bispa espiscopal. Em 1994 proibiram-se todas as terapias para deixar a homossexualidade. Em 2000 aceitou-se o sexo fora do matrimónio. Em 2003 ordenaram bispo Gene Robinson, um senhor divorciado com dois filhos, que vivia maritalmente com outro homem. Em 2006 a igreja Episcopal admitia o casamento homossexual. A 1 de Janeiro de 2011 um bispo episcopal casava duas sacerdotisas lésbicas episcopais, sendo uma delas uma famosa militante pró-aborto." Resultado: não conseguiram atrair mais gente para a sua igreja. Bem pelo contrário. Tinham 3,4 milhões de fiéis em 2001 e 8 anos depois em 2009 tinham apenas 2 milhões. Isto representa uma queda de 41% num curtíssimo espaço de tempo!

Não podemos tirar outra conclusão a não ser esta: manter as portas abertas a Cristo e não desligar aquilo que Deus uniu, Cristo e a Sua Igreja numa só Carne para sempre!


25 de junho de 2011

Ética do Trabalho

in Dissidente.info

"Mas é no plano da ética que o processo de degradação é particularmente visível. Enquanto a primeira época se caracterizava pelo ideal da «virilidade espiritual», pela iniciação e pela ética da superação do vínculo humano; enquanto na época dos guerreiros ainda se fundavam no ideal do heroísmo, da vitória e do senhorio, na ética aristocrática da honra, da fidelidade e da cavalaria, na época dos mercadores o ideal torna-se a economia pura, o lucro, a prosperity e a ciência como instrumento de um progresso técnico-industrial ao serviço da produção e de novos lucros na «sociedade de consumo» — até que o advento dos servos eleva ao nível de uma religião o princípio do escravo: o trabalho. E o ódio do escravo vai até ao ponto de proclamar sadicamente: «Quem não trabalha não come», e a sua idiotice glorificando-se a si própria, fabrica incensos sagrados com as exalações do suor humano: «O trabalho eleva o homem», «A religião do trabalho», «O trabalho como dever social e ético», «O humanismo do trabalho»."

Julius Evolain "Revolta Contra o Mundo Moderno", Publicações Dom Quixote.

29 de maio de 2011

The Trouble with Catholic Social Teaching
People of all faiths, in spite of their doctrinal differences, have generally been encouraged when the Catholic Church takes a stand for religious belief. In a skeptical and materialistic age, the social encyclicals seem to garner the widest attention because everyone is interested in seeing how the Church will adjust to the trends of the modern world. However, it is arguable that there has never been a real surprise in any papal encyclical. The Pope simply affirms the truths the Church has always affirmed. The encyclicals are needed only because the world changes, not because the truth changes. The world needs to be refreshed by the truth. For instance, in 1968, the only surprise of Humane Vitae was that the Church was not going to give into the world. Lust is still wrong. Now, in 2009, the only surprise of Caritas in Veritate was that the Church was not going to give into the world. Greed is still wrong.

6 de maio de 2011

Uma Sociedade de Desejos e Impulsos

Dos arquivos d'O Pasquim da Reacção

E pela mesma razão ambos observam o Cristianismo como inimigo a ser conquistado e dominado pela vontade dos governantes, como se observa pelo cesaropapismo britânico fundamentado por Locke e pelas nacionalizações religiosas dos comunismos que se verificaram por esse mundo fora. Tanto o Comunismo como o Liberalismo têm perfeita consciência de que só sobrevivem numa sociedade de impulsos e desejos e em que toda a repressão é injustificada. Prazer e Dor, Desejo e Satisfação, são os elementos essenciais dessa sociedade suinizada de resposta a impulsos. Qualquer apelo à Virtude, à medida do Homem que proporciona acesso a bens não quantificáveis e qualitativos, é por isso banido por extra-subjectividade. O epíteto “fascista” deixou o significado original de movimento político de massas, para se dizer daquele que não acredita que o indivíduo-átomo é o destinatário final de toda a política. Qualquer pessoa que se recuse a aceitar que os laços humanos são mais importantes que uma individualidade possessiva, que não tem outra finalidade que não seja a total plasticidade do Homem para obter uma total submissão ao poder e ao tempo, quebra a grande premissa de Comunismo e Liberalismo: que devemos todos estar juntos (comunismo) ou separados (liberalismo) para que possamos no fim caber nessa orgia de auto-satisfação do ponto-ómega do Progresso ou da sociedade em que cada um vê satisfeitas as suas necessidades.

14 de abril de 2011

Cartago e a Adoração do Dinheiro

Why do men entertain this queer idea that what is sordid must always overthrow what is magnanimous; that there is some dim connection between brains and brutality, or that it does not matter if a man is dull so long as he is also mean? Why do they vaguely think of all chivalry as sentiment and all sentiment as weakness? They do it because they are, like all men, primarily inspired by religion. For them, as for all men the first fact is their notion of the nature of things; their idea about what world they are living in.
And it is their faith that the only ultimate thing is fear and therefore that the very heart of the world is evil. They believe that death is stronger than life, and therefore dead things must be stronger than living things; whether those dead things are gold and iron and machinery or rocks and rivers and forces of nature.
It may sound fanciful to say that men we meet at tea table es or talk to at garden-parties are secretly worshippers of Baal or Moloch. But this sort of commercial mind has its own cosmic vision and it is the vision of Carthage. It has in it the brutal blunder that was the ruin of Carthage. The Punic power fell, because there is in this materialism a mad indifference to real thought. By disbelieving in the soul, it comes to disbelieving in the mind. Being too practical to be moral it denies what every practical soldier calls the moral of an army.
It fancies that money will fight when men will no longer fight. So it was with the Punic merchant princes. Their religion was a religion of despair, even when their practical fortunes were hopeful. How could they understand that the Romans could hope even when their fortunes were hope less? Their religion was a religion of force and fear; how could they understand that men can still despise fear even when they submit to force? Their philosophy of the world had weariness in its very heart; above all they were weary of warfare; how should they understand those who still wage war even when they are weary of it? In a word, how should they understand the mind of Man, who had so long bowed down before mindless things, money and brute force and gods who had the hearts of beasts?
They awoke suddenly to the news that the embers they had disdained too much even to tread out were again breaking everywhere into flames; that Hasdrubal was defeated, that Hannibal was outnumbered, that Scipio had carried the war into Spain; that he had carried it into Africa. Before the very gates of the golden city Hannibal fought his last fight for it and lost;
and Carthage fell as nothing has fallen since Satan.
The name of the New City remains only as a name. There is no stone of it left upon the sand.

The Everlasting Man, G.K. Chesterton