12 de janeiro de 2012
11 de janeiro de 2012
Distributismo em português
Representando interesses legítimos a integrar nos da colectividade, é tendência do tempo e conveniência do Estado que se multipliquem e alarguem em federações e confederações, para que, verdadeiramente, constituam factores componentes da Nação organizada. Como tais, devem concorrer com o seu voto ou a sua representação para a constituição das Câmaras, em que se deseja uma delegação verdadeiramente nacional. Mais uma vez se abandona uma ficção — o partido —, para aproveitar uma realidade — a associação.
Os corpos administrativos não somente devem ter as prerrogativas de administração local e regional tão descentralizada quanto o permitam as condições do País, mas devem ter também direitos políticos com influência na orgânica do Estado. A sua procedência e posição no organismo nacional impõe logicamente que também constituam colégios eleitorais para o efeito de designar os membros das Câmaras Legislativas, em concorrência com a votação das corporações morais e económicas.
Em suma: pretende-se construir o Estado social e corporativo em estreita correspondência com a constituição natural da sociedade. As famílias, as freguesias, os municípios, as corporações onde se encontram todos os cidadãos, com suas liberdades jurídicas fundamentais, são os organismos componentes da Nação, e devem ter, como tais, intervenção directa na constituição dos corpos supremos do Estado: eis uma expressão, mais fiel que qualquer outra, do sistema representativo.Salazar
10 de janeiro de 2012
O Último Rústico Radical
Joseph Pearce, Tolkien - O Homem e o Mito"Chesterton compôs um estudo de Blake e também uma biografia completa de William Cobbett, um outro dos primeiros opositores do industrialismo. «Na opinião do Sr. Chesterton» escreveu um crítico do último livro, «Cobbett defendia a Inglaterra: a Inglaterra não industrializada, auto-suficiente, que tivesse a agricultura e o comércio saudável como base da sua prosperidade, sem qualquer necessidade de inflação.» Chesterton considerava Cobbett o defensor da população rural inglesa expropriada, o último rústico radical: «Depois dele, o Radicalismo é urbano... e o Conservadorismo suburbano.»"
8 de janeiro de 2012
O Pingo-Doce e o Distributismo
Perante esta clara manigância fiscal, muitas vozes (nomeadamente da Esquerda) têm-se insurgido contra este tipo de práticas. E, verdade seja dita, insurgem-se com razão, embora não do modo mais correcto.
Uma empresa tem, além da responsabilidade para com os seus accionistas, também uma responsabilidade social. Ou seja, a empresa não nasce num vácuo. A iniciativa privada não gera riqueza a partir do Nada, como uma espécie de creatio ex nihilo. Uma empresa também retira dividendos de se instalar num local em que existe Estado. Na verdade, uma empresa não pode lucrar se não existir Estado. Os lucros de uma empresa dependem de uma série de infra-estruturas que não dependem do investimento dessa empresa, mas do investimento público: electricidade, água canalizada, vias de transportes de bens e pessoas, segurança pública, Estado de Direito... tudo isso foi pago pelo Estado, por todos nós, com os nossos impostos.
Daqui decorre que a empresa tem o dever de pagar a sua quota parte desse investimento público. Nomeadamente, tem o dever de pagar os impostos que lhe cabem. E tem o dever de restituir à comunidade aquilo que a empresa dela retira para obter o lucro... a empresa tem o dever de contribuir activamente para o desenvolvimento da comunidade / país onde se inseriu.
Esta contribuição vislumbra-se tão mais significativa e necessária quando o país se encontra em sério risco de bancarrota. Porque se os empresários, que são os indivíduos mais ricos de um dado país, se eximem a pagar os seus impostos numa conjuntura destas... o que teremos é que todo o peso de uma dívida obesa irá recair sobre aqueles que menos têm, aumentando a tributação sobre aqueles que necessitam do mínimo euro para ter uma existência digna, para terem comida sobra a mesa, para terem a medicação necessária à sua saúde, para terem o mínimo de bem-estar para as suas famílias.
Daqui vislumbra-se uma potencial injustiça. Aqueles que podem (porque têm recursos legais e financeiros para tal) fogem aos impostos, enquanto aqueles que não podem são forçados a suportar o peso fiscal quer do Estado, quer das empresas que recorreram a estas artimanhas.
Na minha perspectiva, esta falta de solidariedade é imoral, injustificável e até pecaminosa.
Neste contexto, a blogosfera de Direita (como é do costume) acorreu imediatamente a justificar e a defender os empresários. Os seus argumentos são os seguintes:
1) A carga fiscal é excessiva para as empresas. É um dever das empresas eximirem-se a esta "roubalheira" através de todos os meios possíveis.
Meus caros, a carga fiscal, neste momento, é excessiva para todos. Não me digam que um empresário tem mais dificuldade em pagar os seus impostos do que alguém da classe média. A única coisa que os empresários têm é mais facilidade a eximir-se à carga fiscal excessiva. Mas isso, como já disse, sobrecarrega os que não possuem tais facilidades. É uma falta de solidariedade intolerável.
2) O Estado limita-se a desbaratar o dinheiros dos impostos. Não são as empresas que têm culpa da dívida pública. Pagar os impostos em Portugal é apenas um pretexto para ser-se "roubado", sem que nada mude.
Concordo que o Estado não tem feito bom uso dos nossos impostos. Concordo que há muito despesismo e corrupção que permanecem intocáveis pelo Estado. Concordo que a forma como os dinheiros públicos têm sido utilizados nada faz para que o país saía da crise.
No entanto, é ao Estado que cabe a cobrança dos impostos. E a cada um de nós, quer individual, quer colectivamente, cabe o dever de os pagar.
Se cada um se justificasse a não pagar impostos sempre que discorda da forma como esses impostos são aplicados, isso faria com que ninguém tivesse que pagar impostos. Porque é impossível agradar a 100% a todos no que à gestão pública diz respeito. Seria um precedente terrível que levaria ao colapso do Estado.
As empresas retiram um bem objectivo da aplicação pública dos impostos (relembrar as infra-estruturas que eu referi acima). Se não quiserem contribuir para a manutenção dessas infra-estruturas, então coerentemente não deveriam ter a possibilidade de usufruir delas... o que tornaria os lucros impossíveis.
Aos cristãos eu digo, particularmente, relembrem-se do episódio de Mc 12:14-17.
"Dai a César o que é de César"
Sem dúvida que Jesus Cristo teria mais razões para duvidar da benignidade da aplicação dos impostos pelo Estado do então Império Romano. Afinal de contas, os seus irmãos judeus eram sobretaxados para pagar, entre outras coisas, a Cruz onde Ele foi crucificado.
Ainda assim, o preço da alternativa (a anarquia fiscal com o consequente colapso do Estado) era muito superior... até mesmo em termos humanos.
3) A deslocalização da sociedade Jerónimo Martins é legal.
As pessoas têm alguma dificuldade em perceber que legalidade é diferente de moralidade.
É bem possível que comportamentos imorais sejam legais: veja-se o caso da actual lei iníqua do aborto. Ou, para ser mais consensual, veja-se o caso do extermínio judeu no III Reich. O facto de serem legais não os torna legítimos. A Justiça não deriva da lei positiva, graças a Deus (literlamente!)
Por outro lado, é bem possível que comportamentos morais sejam ilegais: veja-se a perseguição aos cristãos no Império Romano... ou até actualmente em tantos países islâmicos.
Para alguém com recursos para bons advogados, é sempre possível encontrar loop-holes na Lei. Mas tal é uma perversão da Lei. E, logo, é imoral.
4) Portugal não é competitivo com a carga fiscal que se impõe actualmente às empresas. Portanto, a mudança para melhores ambientes fiscais (vg: Holanda) está perfeitamente justificada.
A Holanda pode ter melhor carga fiscal. Mas também tem outras coisas, que a ajudam a ser tão desenvolvida economicamente. Nomeadamente, tem melhores salários.
Dizer que Portugal não é competitivo porque tem uma carga fiscal elevada... e depois utilizar os salários portugueses para pagar aos trabalhadores portugueses é de uma incoerência brutal. Então a Holanda não é mais competitiva? Porque não usam trabalhadores holandeses? Ou então, por que não pagam aos trabalhadores portugueses com salários holandeses correspondentes?
Ah pois! Porque pagar salários holandeses não seria "competitivo"... Afinal, a Holanda não é tão competitiva como se pensava!
Estes empresários querem ter sol na eira e chuva no nabal! Não pode ser!
Este tipo de "competitividade" tem um nome: chico-espertismo! Ou até, na minha opinião, ganância ou desonestidade!
5) A Constituição Europeia consagra os princípios de equidade fiscal. Num mundo globalizado e com a moeda única, esse tipo de distinções geográficas não faz sentido.
Este argumento "begs the question" relativamente à benignidade da Constituição Europeia, da Globalização ou da Moeda Única. Eu não considero que nenhuma delas seja boa (pelo menos, na actual configuração). Logo, não aceito que sejam usadas para justificar estes empresários.
6) As maiores empresas do PSI-20 estão deslocalizadas desta forma. O Continente também tem sede na Holanda.
Este tipo de argumento "everybody's doing it" fazia muito furor no liceu, mas agora somos todos adultos, OK? Todas essas empresas padecem do mesmo mal, todas elas estão a cometer a mesma imoralidade.
7) A primordial responsabilidade de uma empresa é para com os seus accionistas e trabalhadores, não para com o Estado. O dinheiro dos impostos retira riqueza aos accionistas e trabalhadores, gerando pobreza.
Esta não é uma questão de "ou... ou". É uma questão de "e... e". As empresas têm uma responsabilidade para com os accionistas E para com os trabalhadores E para com o Estado.
Resta ao bom administrador saber qual a percentagem do lucro que vai para cada uma das suas "responsabilidades". Mas a empresa também tem uma responsabilidade social, como eu mencionei acima, pelos motivos supramencionados.
De resto, devo dizer que essa da "responsabilidade para com os trabalhadores" é risível. Só lá está para ficar bem na fotografia. Na esmagadora maioria dos casos, a Direita está-se borrifando para a responsabilidade das empresas para com os seus trabalhadores. Tal como demonstra a liberalização dos despedimentos que se avizinha.
É que a Direita padece de um grave unilateralismo. Segundo ela, apenas o capital produz riqueza. Esquecem-se que tal não é totalmente verdade. O que produz riqueza é capital + trabalho. Capital sem trabalho é incapaz de gerar um cifrão de riqueza. Senão, os empresários não necessitariam de contratar ninguém.
Este unilateralismo será exemplificado pelo seguinte argumento.
8) Portugal deveria passar menos tempo a condenar estes empresários e mais tempo a tentar retê-los / atraí-los para cá.
É interessante ver a blogosfera de Direita a usar desse argumento. Ainda há algumas semanas atrás, a propósito desta "brilhante" intervenção de Pedro Passos Coelho, os capitalistas fartaram-se de defender a sua dama, afirmando que os professores deveriam assumir as responsabilidades das suas opções profissionais e emigrar, se não encontrassem emprego em Portugal.
Quando lhes era apontado que a emigração tinha elevados custos para o país, porque Portugal tinha gasto muito dinheiro em qualificar mão-de-obra que agora iria ser usada no exterior... os capitalistas simplesmente ignoravam esses custos. Não é responsabilidade do Estado dar emprego a todos.
Aqui está a malta de Direita a querer ter sol na eira e chuva no nabal... outra vez!
E vê-se que a lógica que aplica aos empresários é completamente diferente da que usa para os trabalhadores. Mas este desprezo que os capitalistas têm pelo trabalho acabará por asfixiar o próprio capital. Como é que o capital vai gerar riqueza se todos os trabalhadores tiverem emigrado? E para que servirá a riqueza gerada, se as pessoas não tiverem salários suficientes para consumirem os produtos gerados?
É incoerente pedir condições especiais para reter os empresários em Portugal e desprezar o pedido de tais condições especiais para reter os trabalhadores em Portugal. É por isso que, como diz John C. Médaille, "o capitalismo mais não é do que um socialismo para ricos".
9) Vejam só esses invejosos dos portugueses a condenarem os empresários. É por isso que não atraímos investimento nenhum! A culpa não é do empresários... mas do Estado. Deveríamos passar menos tempo a culpar o empresário e mais tempo a culpar o Estado.
O Estado tem culpas? Tem, sim senhor! Serão denunciadas a seu tempo! Não é disso que estamos a falar!
Por outro lado, é perfeitamente legítimo que, numa altura em que é exigido a todos que se façam sacrifícios em nome da Nação, que os portugueses se sintam magoados (ou até revoltados) com a injusta repartição de tais sacrifícios.
É comovente ver a Direita a dizer: "A culpa não é do indivíduo mas da má, má sociedade".
10) ... blá, blá, blá, Argumento ad hominem, blá, blá, blá...
Tenho os meus impostos em dia e nunca abasteci gasolina em Espanha.
A Filosofia da Árvore - A Paixão da Tradição
Quero dizer, uma árvore nunca deixa de crescer e, consequentemente, nunca deixa de mudar, mas a sua orla rodeia sempre algo de imutável. Os anéis interiores da árvore são ainda os mesmos de quando era um rebento; deixaram de ser visíveis mas não deixaram de ser centrais. Quando lhe nasce um ramo lá em cima, não se separa das raízes no fundo; pelo contrário, quanto mais altos se tornam os seus ramos, mais precisa das raízes para se agarrar com força. É essa a verdadeira imagem do progresso vigoroso e saudável de um homem, de uma cidade ou de toda uma espécie.
7 de janeiro de 2012
As chaves de São Pedro: desafios da Igreja Católica para o 3º Milénio da Encarnação
"Tu és Pedro, e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do Inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do Reino do Céu; tudo o que ligares na terra ficará ligado nos Céus e tudo o que desligares na terra será desligado no Céu."
Mateus, 16, 18-19
Gostaria antes de mais nada de agradecer ao Manuel Rezende o convite que me fez para participar neste blog de intercâmbio de conhecimentos e de experiências em torno do Catolicismo e do conservadorismo. É com o maior gosto que aceito esta oportunidade e pretendo que as minhas intervenções possam ser frutíferas.
A imagem que apresento acima é conhecida universalmente. Mostra-nos a criação de Adão por Deus. É interessante ver como ambos se encontram separados, cada um na sua concha, remetendo-nos assim para dois lugares distintos: o lugar de Deus e o lugar do Homem. Isto não significa contudo, que Deus não tivesse a intenção de os unir. Se não fosse assim, por que estariam ambos de braços estendidos tentando-se alcançar mutuamente? Porque de facto queriam ficar unidos! Mas esta união não foi possível, porque o Homem não quis apenas estar unido a Deus, ele quis ser o próprio Deus. Foi com esse intuito que Eva pegou na maçã e a comeu, dando-a também ao seu marido, pois a serpente tinha-lhe dito: "Não, não morrereis (ao comer o fruto); porque Deus sabe que, no dia em que o comerdes, abrir-se-ão os vossos olhos e sereis como Deus...". Assim, se quebrou a unidade inicial e o que estava unido ficou separado, pois Adão e Eva cometeram a "ὕβρις"(hyubris), a arrogância contra Deus. Mas não para sempre. Deus quis unir-se com a Humanidade enviando um novo Adão (Cristo) e uma nova Eva (a Virgem Maria) refazendo a aliança que tinha sido quebrada. Deus funda a Igreja para nela se ligar com todo o género humano e o conduzir à salvação.
Pois bem, aqui estamos nós, membros desta mesma Igreja que durou até ao ano de 2012 e que, segundo a nossa Fé e Esperança, atingirá a eternidade, se se mantiver fundada na Caridade. Na imagem acima não vemos apenas uma desunião entre o Homem e Deus, como se passou com a história de Adão e Eva, mas vemos uma brecha que promete separar Deus e o Homem para sempre. É o nosso dever impedir que o Homem do Terceiro Milénio faça pior do que provar a maçã, quebrando a aliança que Deus fez com ele. É o nosso dever, como Igreja, Assembleia de Deus, continuar a fazer o esforço de esticar o braço de Adão para que ele agarre a mão de Deus firmemente. Todavia, bem sabemos que o Homem do século XXI não só já não agarra a mão de Deus, com cria perante Ele uma brecha bem profunda. Mas porque é que o Homem do séc. XXI, uma vez que não se quer unir a Deus, não deixa apenas de continuar a esticar o braço? Porquê uma brecha, uma divisão tão brusca? Porque para o Homem do século XXI, já não basta não se unir a Deus, tem de se afastar dele o mais que puder. Não se trata apenas de uma necessidade de desunião, mas de fuga, que leva alguns a convencerem-se que para além da brecha já não existe nada (estes, são sem dúvida, os ateístas). Adão e Eva ficaram desunidos de Deus, porque criam ser como Deus. Para os ateístas, Deus já não é uma meta alcançar, nem sequer um desejo admissível. Deus é para eles um vácuo, e, se existisse, seria a essência mais abominável do Universo. Como disse Christopher Hitchens um dos "quatro cavaleiros do neo-ateísmo" recém-falecido: "seria péssimo se [Deus] existisse".
Já vimos que o Homem do século XXI quer criar um fosso entre Deus e o Homem. E em relação à Igreja? Não querem tantos católicos hoje (a maioria sem se aperceber) criar esse mesmo fosso? Não querem muitos que a Igreja, Esposa de Cristo, dele se divorcie?
A citação de Mateus que coloquei debaixo da imagem, não foi de modo nenhum por mero acaso. Reparem que Jesus, quando se dirige a Pedro, diz que o que desligar na terra ficará desligado nos Céus, mas não diz para desligar o que une o Céu à Terra. Ou seja, a Igreja, pela autoridade que lhe foi conferida por Nosso Senhor Jesus Cristo, detêm as chaves, para fechar ou abrir aos membros da Humanidade "o acesso à comunhão com a comunidade cristã" (vide: comentário da Bíblia dos Capuchinhos). O Papa, a quem foi conferida esta autoridade, não pode usar as mesmas chaves, para trancar a Igreja do poder de Deus. Esse poder não lhe foi dado. Pode determinar quem pode entrar na Igreja para estar em comunhão com Deus, mas não pode acabar com essa comunhão. Ela durará até ao fim dos tempos. Temos pois, o dever de ajudar o Papa a manter as portas da Igreja abertas a Cristo e defender que as chaves se mantêm na sua posse e não na da multidão que tanto quer ver as portas fechadas.
Quantos não são hoje aqueles que desejam ter as chaves de São Pedro? Muitos já tentaram roubar as chaves, pensando que eram essas as verdadeiras. Não foi isso que fizeram os protestantes? Acharam que tinham as chaves e criaram uma nova igreja. Vê-se bem que as chaves verdadeiras continuam na Igreja Católica Apostólica Romana e não na deles. E porque todos esses protestantes quiseram aquilo a que não tinham direito, obviamente não tardaram em retirar as chaves àquele primeiro (Martinho Lutero) que as roubou. Hoje as chaves falsas já se multiplicaram tanto, que temos 30 000 igrejas protestantes no mundo, dizendo todas elas terem as verdadeiras chaves de Cristo, que nunca lhes foram entregues.
Hoje a Igreja encontra-se perante um grande dilema: manter as chaves na posse da cátedra de São Pedro ou dá-las à multidão, como tantos católicos progressistas hoje defendem. Esta segunda hipótese só tem para mim uma consequência: que as portas do Inferno prevalecerão certamente sobre a Igreja. Aceitar o casamento homossexual, aceitar o fim do celibato, aceitar a ordenação de casais de gays e de lésbicas, aceitar todos os métodos contracetivos artificiais, aceitar a não existência do pecado, aceitar a possibilidade do aborto, aceitar o fim da monarquia papal e a transferência da sua autoridade para os leigos que escolheriam através do voto os seus pastores, só pode constituir um fechar das portas à comunhão da Igreja com Deus, com as Sagradas Escrituras e com a Tradição Apostólica. São estes os três sustentáculos da Igreja. O seu cumprimento permitiu que a Igreja sobrevivesse heroicamente estes 2000 anos, passando pelo fim do Império Romano do Ocidente, pelo fim do Império Romano do Oriente, pelo Cisma Ortodoxo, pelo fim do teocentrismo medieval, pela Reforma, pela Revolução Francesa, pelo fim dos Estados Papais, pelo fascismo, pelo marxismo, pelo ateísmo, pelo neo-ateísmo, pelas ameaças do Islão e pelas heresias de novas igrejas cristãs, sã e salva. Transmitida por doze apóstolos, quase todos eles pescadores e ignorantes, a mensagem de Cristo foi acreditada por sábios e néscios, por santos e pecadores e chegou mesmo aos confins do mundo.
A Igreja atravessa atualmente, sem dúvida alguma, uma dura crise e perda de fiéis. Contudo, isso jamais pode levá-la a prostituir a Verdade para agradar aos homens, como tantas outras o fizeram. A Igreja não pode ignorar o seu esposo, Jesus Cristo, a Tradição Apostólica e as Sagradas Escrituras. As igrejas protestantes que cometeram este erro, têm as portas fechadas à Verdade de Deus e começam a ter as suas próprias portas fechadas, porque os fiéis sabem que a Verdade não é uma hoje e outra amanhã, mas que se mantém sempre igual, desde o alfa ao ómega dos tempos.
Vejamos o caso dos Episcopalianos. Todos os desejos dos progressistas se concretizaram nesta igreja. Baseando-me no site espanhol "Religión en Libertad" vou apresentar alguns dados interessantes. "No século XVI, o anglicanismo aceitou o clero casado. Em 1930 aceitaram (os Episcopalianos) a anticonceção. Em 1976 os Espicopalianos aprovaram o clero feminino. Em 1989 ordenou-se a primeira bispa espiscopal. Em 1994 proibiram-se todas as terapias para deixar a homossexualidade. Em 2000 aceitou-se o sexo fora do matrimónio. Em 2003 ordenaram bispo Gene Robinson, um senhor divorciado com dois filhos, que vivia maritalmente com outro homem. Em 2006 a igreja Episcopal admitia o casamento homossexual. A 1 de Janeiro de 2011 um bispo episcopal casava duas sacerdotisas lésbicas episcopais, sendo uma delas uma famosa militante pró-aborto." Resultado: não conseguiram atrair mais gente para a sua igreja. Bem pelo contrário. Tinham 3,4 milhões de fiéis em 2001 e 8 anos depois em 2009 tinham apenas 2 milhões. Isto representa uma queda de 41% num curtíssimo espaço de tempo!
Não podemos tirar outra conclusão a não ser esta: manter as portas abertas a Cristo e não desligar aquilo que Deus uniu, Cristo e a Sua Igreja numa só Carne para sempre!
5 de janeiro de 2012
Aos Caminhantes Perdidos
Hail, Queen of Heaven, the ocean star,
Guide of the wand'rer here below:
Thrown on life's surge, we claim thy care---
Save us from peril and from woe.
Mother of Christ, star of the sea,
Pray for the wanderer, pray for me.
Sojourners in this vale of tears,
To thee, blest advocate, we cry;
Pity our sorrows, calm our fears,
And soothe with hope our misery.
Refuge in grief, star of the sea,
Pray for the mourner, pray for me.
John Lingard
Guide of the wand'rer here below:
Thrown on life's surge, we claim thy care---
Save us from peril and from woe.
Mother of Christ, star of the sea,
Pray for the wanderer, pray for me.
Sojourners in this vale of tears,
To thee, blest advocate, we cry;
Pity our sorrows, calm our fears,
And soothe with hope our misery.
Refuge in grief, star of the sea,
Pray for the mourner, pray for me.
John Lingard
5 de dezembro de 2011
Liberdade e Mercado
Toward a Truly Free Market: A Distributist Perspective on the Role of Government, Taxes, Health Care, Deficits, and More, John C. Médaille
15 de outubro de 2011
Da imoralidade da tributação excessiva e confiscatória
A análise efectuada aborda concretamente a realidade dos Estados Unidos, mas na sua essência é também aplicável a Portugal.
1 de setembro de 2011
O Burguês
GroethuysenA Causa da incredulidade do burguês deve procurar-se precisamente na discordância entre a vida cristã a vida burguesa, entre o homem velho e o homem novo.Como há-de acreditar ainda em mistérios, em lendas, em milagres, se todo o seu esforço deve tender para eliminar tudo o que houver de irracional na sua vida? Como há-de admitir ainda a Divina Providência e convencer-se de que a vontade de Deus regula tudo, se a confiança nas suas próprias forças e a previsão raciocinada constituem os motivos em que se inspiram todos os seus juízos.
29 de agosto de 2011
Leituras de Agosto - "Europe and the Faith", de Hilaire Belloc

A tese desenvolvida por Belloc neste livro é simples e conhecida, apesar de esquecida nos dias que correm. Convém, pois, recordá-la: na sua essência, a Europa é o resultado directo da cultura greco-romana clássica matizada pelo baptismo cristão que lhe foi ministrado pela Igreja Católica.
Sustenta Belloc que nunca ocorreu uma queda, uma desaparição no sentido literal da palavra, do Império Romano; este último, ao invés, a partir do século V, com o enfraquecimento dos laços centralizadores que uniam administrativamente as diferentes províncias imperiais a Roma, transmutou-se num conjunto de unidades politicamente independentes entre si, porém espiritualmente ligadas a Roma, já não pelo poder militar das legiões, mas pelo elo religioso nelas infundido pela Igreja Católica. E sob o influxo desta última, a Europa conseguirá superar o período obscuro e turbulento que se seguiu à desaparição do poder imperial romano e, a partir do século XI, guindar-se-á a uma nova época de dois séculos, que conhecerá o seu zénite coma Cristandade do século XIII - a Cristandade onde viveu São Tomás de Aquino -, em que mais do que nunca fará sentido o lema tão caro a Belloc: “a Europa é a Fé, e a Fé é a Europa!”
Com o dealbar do século XIV, e por causa daqueles que voluntária ou involuntariamente colaboram com as forças que imprimem um sentido anticristão à História, iniciar-se-á a erosão da Cristandade medieval, que culminará com a brutal ruptura da unidade espiritual europeia provocada pela reforma protestante do século XVI, o primeiro de muitos abalos que a Europa sofrerá na sua essência. Daqui se abrirão as portas sucessivamente à idolatria do poder absoluto do Estado, ao iluminismo jacobino, à revolução francesa, ao liberalismo laico e ao capitalismo desregrado, ao socialismo ateu, à revolução russa e à guerra mundial (este livro foi originalmente lançado em 1920), autênticas antecâmaras da erecção na Europa do Estado Servil ou Tecnocrático animado por uma ideologia anticristã, jacobina e internacionalista, antítese última das ideias de Cristandade e Europa, pois, como Belloc sempre insiste, “a Europa é a Fé, e a Fé a Europa!"
Leitura recomendada, já que - como li algures - conhecer a História é ser-se católico.
P.S. Para além da edição em língua inglesa deste livro, da responsabilidade da “TAN”, existe também uma espanhola, “Europa y la Fe”, publicada pela “El Buey Mudo”.
P.P.S. Este artigo é publicado em simultâneo no blogue “A Casa de Sarto”.
Sustenta Belloc que nunca ocorreu uma queda, uma desaparição no sentido literal da palavra, do Império Romano; este último, ao invés, a partir do século V, com o enfraquecimento dos laços centralizadores que uniam administrativamente as diferentes províncias imperiais a Roma, transmutou-se num conjunto de unidades politicamente independentes entre si, porém espiritualmente ligadas a Roma, já não pelo poder militar das legiões, mas pelo elo religioso nelas infundido pela Igreja Católica. E sob o influxo desta última, a Europa conseguirá superar o período obscuro e turbulento que se seguiu à desaparição do poder imperial romano e, a partir do século XI, guindar-se-á a uma nova época de dois séculos, que conhecerá o seu zénite coma Cristandade do século XIII - a Cristandade onde viveu São Tomás de Aquino -, em que mais do que nunca fará sentido o lema tão caro a Belloc: “a Europa é a Fé, e a Fé é a Europa!”
Com o dealbar do século XIV, e por causa daqueles que voluntária ou involuntariamente colaboram com as forças que imprimem um sentido anticristão à História, iniciar-se-á a erosão da Cristandade medieval, que culminará com a brutal ruptura da unidade espiritual europeia provocada pela reforma protestante do século XVI, o primeiro de muitos abalos que a Europa sofrerá na sua essência. Daqui se abrirão as portas sucessivamente à idolatria do poder absoluto do Estado, ao iluminismo jacobino, à revolução francesa, ao liberalismo laico e ao capitalismo desregrado, ao socialismo ateu, à revolução russa e à guerra mundial (este livro foi originalmente lançado em 1920), autênticas antecâmaras da erecção na Europa do Estado Servil ou Tecnocrático animado por uma ideologia anticristã, jacobina e internacionalista, antítese última das ideias de Cristandade e Europa, pois, como Belloc sempre insiste, “a Europa é a Fé, e a Fé a Europa!"
Leitura recomendada, já que - como li algures - conhecer a História é ser-se católico.
P.S. Para além da edição em língua inglesa deste livro, da responsabilidade da “TAN”, existe também uma espanhola, “Europa y la Fe”, publicada pela “El Buey Mudo”.
P.P.S. Este artigo é publicado em simultâneo no blogue “A Casa de Sarto”.
25 de agosto de 2011
Como São Jorge
Os Chestertonianos de Portugal não estão escondidos - tivemos apenas uns problemas circunstanciais ligados à eterna luta contra O Dragão da Maldade.
1 de julho de 2011
La Libertad del Polvo
Esa Economía había dicho que el trabajo era una mercancía que se regulaba, como las demás, por la ley de la oferta y del pedido, y la Economía social católica contesta: No; el trabajo, como ejercicio de la actividad de una persona, no es una simple fuerza mecánica, es una obra humana que, como todas, debe ser regulada por la ley moral y jurídica, que está por encima de todas las reglas económicas.
Esa Economía había dicho que el contrato de trabajo era asunto exclusivamente privado, que sólo interesaba a los contratantes; y la Economía católica contesta: No; el contrato de trabajo es directamente social por sus resultados, que pueden trascender al orden público y social; y la jerarquía de los poderes de la sociedad, y no sólo del Estado, que es el más alto, pero no el único, tienen en ciertos casos el deber de regularlo.
La Economía liberal había dicho que el principal problema era el de la producción de la riqueza, y la Economía católica contesta: No; el principal problema no consiste en producir mucho, sino en repartirlo bien, y por eso la producción es un medio y la repartición equitativa un fin, y es invertir el orden subordinar el fin al medio, en vez del medio al fin.
La Economía liberal decía: Existen leyes económicas naturales, como la de la oferta y la demanda, que, no interviniendo el Estado a alterarlas, producen por sí mismas la armonía de todos los intereses. La Economía social católica contesta: No existen leyes naturales que imperen en el orden económico a semejanza de las que rigen el mundo material, porque el orden económico, como todo el que se refiere al hombre, está subordinado al moral, que no se cumple fatal, sino libremente, y no se pueden armonizar los intereses si antes no se armonizan las pasiones que los impulsan; y no es tampoco una ley natural la de la oferta y el pedido, porque ni siquiera es ley, ya que es una relación permanentemente variable.
La Economía liberal decía: La libertad económica es la panacea de todos los males, y la libre concurrencia debe ser la ley suprema del orden económico. Y la Economía social católica contesta: No; el circo de la libre concurrencia, donde luchan los atletas con los anémicos, es el combate en donde perecen los débiles aplastados por los fuertes; y para que esa contienda no sea injusta, es necesario que luchen los combatientes con armas proporcionadas, y para eso es preciso que no estén los individuos dispersos y disgregados, sino unidos y agrupados en corporaciones y en la clase, que sean como sus ciudadelas y murallas protectoras, porque, si no, la fuerza de unos y el poder del Estado los aplasta.
La antigua Economía liberal decía, refiriéndose al Estado en sus relaciones con el orden económico: Dejad hacer, dejad pasar. Y la Economía católica contesta: No; esa regla no se ha practicado jamás en la Historia. Los mismos que la proclamaron no la han practicado nunca; y es un error frecuente el creerlo así, en que han incurrido muchos, y entre ellos sabios publicistas católicos, por no haber reparado que la antigua sociedad cristiana estaba organizada espontáneamente y no por el Estado. Aquella sociedad había establecido su orden económico, y no a priori y conforme a un plan idealista, sino según sus necesidades y sus condiciones; y cuando el individualismo se encontró con una sociedad organizada conforme a unos principios contrarios a los suyos fue cuando proclamó la tesis de que no era lícito intervenir en el orden económico. Lo que era precisamente para derribar el que existía, por medio de una intervención negativa, que consistía en romper uno a uno todos los vínculos de la jerarquía de clases y corporaciones que lenta y trabajosamente habían ido levantando las centurias y las generaciones creyentes. Porque ¿qué intervención mayor cabe que romper una a una todas las articulaciones del cuerpo social y disgregarle y reducirle a átomos dispersos, para darle, a pesar suyo, la libertad del polvo, a fin de que se moviese en todas direcciones según los vientos que soplasen en la cumbre del Estado?
La Economía liberal decía... pero ¿a qué continuar, señores, si habría que recorrer todas sus afirmaciones y teorías para demostrar que sólo han dejado tras de sí, al caer sepultadas por la crítica, los escombros sociales entre los cuales corre amenazadora como un río de odio, que será después de lágrimas y de sangre, al través de todas las sociedades modernas, la que se llama por antonomasia la cuestión social, engendrada principalmente por la Economía liberal, que fue la pesadilla del siglo XIX y que es la premisa de las catástrofes el siglo XX?
OBRAS COMPLETAS DE VÁZQUEZ DE MELLA . Regionalismo. Tomo I.
25 de junho de 2011
Ética do Trabalho
in Dissidente.info
"Mas é no plano da ética que o processo de degradação é particularmente visível. Enquanto a primeira época se caracterizava pelo ideal da «virilidade espiritual», pela iniciação e pela ética da superação do vínculo humano; enquanto na época dos guerreiros ainda se fundavam no ideal do heroísmo, da vitória e do senhorio, na ética aristocrática da honra, da fidelidade e da cavalaria, na época dos mercadores o ideal torna-se a economia pura, o lucro, a prosperity e a ciência como instrumento de um progresso técnico-industrial ao serviço da produção e de novos lucros na «sociedade de consumo» — até que o advento dos servos eleva ao nível de uma religião o princípio do escravo: o trabalho. E o ódio do escravo vai até ao ponto de proclamar sadicamente: «Quem não trabalha não come», e a sua idiotice glorificando-se a si própria, fabrica incensos sagrados com as exalações do suor humano: «O trabalho eleva o homem», «A religião do trabalho», «O trabalho como dever social e ético», «O humanismo do trabalho»."
"Mas é no plano da ética que o processo de degradação é particularmente visível. Enquanto a primeira época se caracterizava pelo ideal da «virilidade espiritual», pela iniciação e pela ética da superação do vínculo humano; enquanto na época dos guerreiros ainda se fundavam no ideal do heroísmo, da vitória e do senhorio, na ética aristocrática da honra, da fidelidade e da cavalaria, na época dos mercadores o ideal torna-se a economia pura, o lucro, a prosperity e a ciência como instrumento de um progresso técnico-industrial ao serviço da produção e de novos lucros na «sociedade de consumo» — até que o advento dos servos eleva ao nível de uma religião o princípio do escravo: o trabalho. E o ódio do escravo vai até ao ponto de proclamar sadicamente: «Quem não trabalha não come», e a sua idiotice glorificando-se a si própria, fabrica incensos sagrados com as exalações do suor humano: «O trabalho eleva o homem», «A religião do trabalho», «O trabalho como dever social e ético», «O humanismo do trabalho»."
Julius Evolain "Revolta Contra o Mundo Moderno", Publicações Dom Quixote.
19 de junho de 2011
A Restauração da Propriedade Privada
Hillaire Belloc
Let it be remembered that this aim of ours for the restoration of private property among a determining number of the community, the distribution of property among the masses of citizens who should thus be made free, does not contradict state ownership of certain functions. What it contradicts is the false doctrine of general or preponderant state ownership, or what is worst of all universal State ownership. The State exists for the family and the individual; not these for the State.In many European countries where highly divided property is the rule, railways are State owned, and in all without exception, the Post Office.There is no hard and fast line, but the general principle is clear enough. Any free and well ordered state includes a proportion of State ownership which is based upon private ownership in the hands of as many citizens and families as possible at any rate, of so many as to make the principle determining character of society. Such ownership may be co-operative in the form of the Guild where large units are necessary or as in the case of nearly all agriculture and a great deal of industry as well, owned in small units by craftsmen.The function of distribution should also follow the same lines. Where there must be concentration in a large unit, that unit should be organized as a Guild; but in the vast majority of cases a small unit of distribution—the small store—is sufficient.
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